domingo, 21 de setembro de 2014

Digo desde o começo

Acordar já é uma pena, então pense acordar com quem você não quer na cabeça. É como se neurônios criassem um diálogo entre você e suas piores lembranças, algo do tipo:
- "cara, você viu o que postaram ontem?"
- "concordei pra caramba com o que ele disse. Inclusive acho que ele está perdendo muito".

Paciência é o que eu perco. Não saberia explicar, em exatas palavras o que eu mais detesto só de lembrar de cada mísera palavra. Mas faço questão de listar desde o começo.

Não seria pessimismo ou algo assim, mas aqui quem diz não é qualquer pessoa. Digo que esse despejo de palavras representem não uma, mas várias pessoas. Não falo por amor ou por ódio, falo por construção de personalidades. O começo sempre é um desafio de portas fechadas, aquela porta que tem a codificação da chave mais complexa que outras portas. Você bate, dá socos, chuta e quanto mais você força a barra, mais pesada ela fica.

Como era horrível acordar naquela cama e ter um pequeno flash de que poderia ser um sonho. Mas não, a pessoa estava ali, que triste. Nunca jurei amores por ninguém, mas ver aquela cena, me fez acordar agoniado.- "cara, tá tudo errado" - pensei em voz alta. E a pessoa não se mexia.

E o sentimento estranho nascia. Não sei como, quando, onde e quanto custava, mas brotava ali algo parecido com "aproximação". Acordar já não era só um desejo que fosse um sonho, era uma realidade a ser sonhada. Tomar café era quase uma vida de rei: a torrada estava ao ponto, o leite era fresco, o café mais ainda e o aroma de companhia me  cercava por todos os lados.

Argh! Como eu me sentia louco por amor. Era doença? Grite o doutor! Quem cuida dessas questões? Cardiologista?
Conclui que era coisa para louco tomar conta.
Mas deixei rolar. A situação foi andando, mudaram as estações, os objetos da casa, o espaço na cama já tinha formato certo e as noites já tinha bons lances e romances.

Não era para inglês ver, mas para meus olhos burgueses perceberem o quanto eu não combinava em nada. Nem no sobrenome, nem nas roupas, nem no cheiro e muito menos no cigarro. Éramos tão diferentes que quando me dei conta, já estávamos jogando truco e a cada grito desesperado por truco, eu lembrava que detestava o por quê eu detestava tanto aquele jogo de cartas.

Conclui que tenho aversões. E muitas. Mas ali eu já não sabia o que era minha prioridade: sair salvo ou descer o ritmo do  naufrago.

A água parecia até bem mesmo no meio de um maremoto.
Minha vida virou e aqui começou meu mar de aversões.